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Advogada - OAB/SP nº 27.474

 

Relator prepara medidas para não elevar a carga

O relator da proposta de reforma tributária em analise na Comissão Especial da Câmara, deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), está preparando um conjunto de medidas para evitar o aumento da carga tributária. O parlamentar, que considera natural a pressão dos empresários, garante ter sido o primeiro a alertar o Governo do risco que a unificação de alíquota do ICMS traria para a relação PIB/carga tributária.
- Não abro mão de dizer que fui o primeiro a apontar para o risco do aumento da carga.
Temos que impedir isso - disse.
O deputado informou que pretende em seu parecer, excluir como atribuição do Senado a responsabilidade pelo enquadramento dos produtos nas novas faixas de cobrança.
Apesar de contar com sua simpatia, Guimarães lembrou que a norma poderia resultar num ""risco jurídico incontornável"" e num ""enorme contencioso judicial"" porque caso o Senado fosse responsável por todo o processo de normatização do novo ICMS as ações na justiça questionariam a quebra do Pacto Federativo.
- Se os Estados não tiverem o poder de influir em nada seria possível entender que se fere a cláusula pétrea da Constituição sobre o pacto Federativo - disse Virgílio ao lembrar que a discussão sobre o tema já foi intensa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Solução depende de ampla negociação
A solução para o impasse parece simples, mas também precisará de muita negociação. Virgílio quer que o Senado apenas fixe as cinco alíquotas do novo ICMS e que o órgão colegiado, a ser criado nos moldes do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz , defina o enquadramento dos produtos.
- Os senadores definem a altura das prateleiras e o Confaz diz que produto será posto em cada uma - explicou.
O relator quer aumentar de 3/5 para 4/5 o quórum para decisões no órgão colegiado do ICMS, e já quer definir as cinco alíquotas para o ICMS unificado, que vigorariam até que o Senado estabelecesse as novas faixas.
- Acho que isso tranquilizaria o País - afirmou.
Já o enquadramento dos produtos seria apenas sugerido no relatório de Virgílio, o que daria o caráter indicativo para os Estados. Para ele, até que o órgão colegiado defina claramente quais produtos estarão em cada uma das cinco faixas, deveria vigorar o princípio do enquadramento por alíquotas menores.
Pelo mecanismo, um estado que não produzir determinado produto não pode opinar sobre as alíquotas que sobre ele incidem.
- Rondônia não produz carro. Então, não deve opinar sobre a alíquota de São Paulo, que é um grande produtor de automóveis - resumiu o relator.
Virgílio ainda quer que a PEC apresente uma diretriz normativa que fixe uma meta de carga tributária máxima com limites prudências. Por diretriz normativa, entenda-se uma orientação escrita a ser seguida por todos os Estados. O limite prudencial seria um percentual que se alcançado geraria uma mobilização nacional em todos os estados para reduzir a carga.
O relator também confirmou que no parecer preliminar que apresenta na próxima semana estará definida a fórmula ""um terço dois terços"" para a distribuição do ICMS. Pela norma, a cobrança do ICMs será feita toda na origem, mas a distribuição dos recursos arrecadados ficará com os estados de produtores e consumidores na proporção de 1/3
para origem e 2/3 para destino.
- Me parece tecnicamente adequado para estimular a fiscalização nos estados produtores. Além disso, é mais fácil cobrar da fábrica de TVs que as lojas que revendem os aparelhos.
Já sobre a polêmica Desvinculação das Receitas dos Estados (DRE), nos moldes do que já acontece com a parcela da União pela DRU, Virgílio apenas revelou sua disposição em excluir as áreas da saúde e educação dos debates.
- Elas não podem recuar dos limite da constituição. O resto, pode ser negociado - disse.
Apesar das 466 emendas recebidas, Virgílio manteve sua disposição de entregar o relatório preliminar no dia 15 de julho, e o parecer final no máximo até 25 de julho.


10 de julho de 2003
Fonte: Jornal do Comerc
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