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A
cada dia surgem mais idéias falsas
sobre alimentos e com isso, muitas
pessoas ficam inseguras, sem saber em
quem acreditar, sem saber o que e onde
comprar. Até para adquirir
conhecimentos específicos sobre esse
assunto, é difícil.
Como consumidores, o que devemos fazer
é criar o hábito de ler o rótulo do
produto antes da compra. Além das
informações nutricionais, os rótulos
possuem informações importantes para o
consumidor, tais como os ingredientes,
as orientações sobre a conservação do
produto, o prazo de validade, a
procedência etc. Se o alimento
contiver aditivos químicos, eles
constarão no item dos ingredientes.
Para ler os rótulos não é necessário
nenhum conhecimento especial, nem ser
técnico. Além disso, o hábito de ler
os rótulos provocará o desejo de
conhecer melhor o assunto.
Para ajudar você na conscientização,
como consumidor atento, vamos falar um
pouco sobre os rótulos.
Hoje, as pessoas mais ameaçadas pelos
perigos da alimentação
industrializada, cujo valor
nutricional é baixo e a concentração
de aditivos químicos é alta, são as
crianças. Já é hábito da maioria
delas, regar o prato de alimentos com
grande quantidade de maionese e
catchup. Elas também têm hábito de
comer doces em quantidades exageradas.
Consomem macarrão instantâneo na hora
do jantar como se isso fosse uma coisa
muito natural. Essas crianças têm
preferido comida de lojas de
conveniência, de fast food ao invés da
comida preparada pela mãe.
Infelizmente, por desconhecerem o
risco que essas substâncias trazem
para a saúde, os pais acabam
endossando a ingestão de alimentos que
contêm aditivos químicos e,
conseqüentemente, incentivando as
crianças a terem esse hábito: servem
hambúrgueres vendidos no mercado e
usam molhos prontos no espaguete, que
fazem com que as crianças percam o
paladar original.
A base da culinária caseira está em
comprar alimentos naturais ou que
tenham sofrido o mínimo possível de
processamento industrial. Para que a
criança aprenda a importância dos
alimentos, é imprescindível que ela
cresça vendo a mãe ou o pai preparar
as refeições. O mais importante é, ao
em vez de somente falar sobre a
questão, fazê-las experimentar, ver e
sentir esse tipo de alimento.
No que diz respeito aos aditivos, há
cinco conselhos importantes.
1. Antes de comprar, ler o rótulo do
verso
Veja a lista de ingredientes desse
produto e compare com os ingredientes
que você tem em sua cozinha. Descarte
os produtos formados por muitas
substâncias que não fazem parte dos
ingredientes que você costuma usar.
Provavelmente você não acrescente
esses aditivos químicos como os
conservantes, os estabilizantes e os
aromatizantes, entre tantos outros nos
pratos que prepara.
2. Escolher produtos que sofreram
pouco processo de industrialização
Vamos tomar como exemplo o arroz. Os
que sofreram processo de
industrialização são os do tipo
semi-pronto, com várias opções de
sabores e são apresentados em pequenos
pacotes individuais. Eles são
preparados com uma grande quantidade
de temperos artificiais. Por isso, não
caia nas armadilhas da praticidade
para atender às suas necessidades por
causa da falta de tempo ou na do
atrativo que é o preço baixo. Prefira
sempre produtos com pouco processo de
industrialização.
Alerta: ou você adquire tempo para
preparar a sua refeição ou você injeta
mais e mais aditivos químicos no seu
organismo. Pense nisso quando você for
comprar alimentos.
3. Comer sabendo o que está comendo
É importante conhecer melhor os
aditivos usados nos alimentos que você
e sua família estão ingerindo. Se você
sabe bem o que está comendo, é
provável que ao servir, você pense: -
desculpe pela minha falta de cuidado,
- desculpe por estar oferecendo
aditivos para comer,
- desculpe por não estar respeitando o
próprio alimento.
Se essas três frases estiverem
pairando em sua mente, também é
provável que quando for servir a
próxima refeição, você tenha o cuidado
de preparar algo caseiro. Por isso,
tente aumentar, a cada semana, um
prato feito por você.
4. Não comprar somente porque é barato
Produtos baratos têm uma razão de ser.
Por trás do preço baixo pode estar
escondida a qualidade ruim, mascarada
pela aplicação de aditivos químicos,
que possibilitam ao fabricante
baratear o produto.
5. Tenha sempre senso investigativo
O senso investigativo é o primeiro
passo para lidar bem com essa questão
dos aditivos químicos. "Por que será
que tem uma cor tão bonita assim?",
"por que será que é tão barato?", "por
que será que essa salada pronta não
estraga facilmente?", "por que essas
verduras são tão uniformes?". Leia o
rótulo do verso e você encontrará
todas as respostas.
É claro que ao nos livrarmos desses
alimentos industrializados, e
preferirmos as comidas caseiras, as
mães terão muito mais trabalho na
cozinha. Mas existe solução. Na minha
casa, eu e os meus filhos ajudamos no
preparo das refeições e nos afazeres
domésticos e assim nossas refeições
são baseadas em pratos caseiros com
bastantes verduras.
Agindo dessa forma as crianças
aprendem naturalmente a importância
dos alimentos e nós, os adultos, não
precisamos dar uma educação especial e
nem precisamos ficar ouvindo as
reclamações de crianças que rejeitam
os alimentos naturais (verduras,
frutas, legumes entre outros). Se os
pais mudarem, os filhos também
mudarão. Vamos nos conscientizar e
começar com o que está ao nosso
alcance!
Tsukasa Abe
Jornalista de alimentos
Nasceu na Província de Fukuoka, no
Japão, em 1951. Após se formar na
Faculdade de Literatura e Ciências da
Universidade Yamaguti, ingressou no
ramo das empresas de alimentos e
aditivos. Tornou-se vendedor top e foi
chamado de "Rei dos aditivos". Após se
aposentar, chama a atenção para o
perigo dos aditivos químicos e dos
hábitos alimentares modernos. Seu
livro "O outro lado dos alimentos"
tornou-se um best seller e vendeu mais
de 600.000 exemplares. |