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Uma
microalga pode ser a mais nova arma no
controle do colesterol, principalmente do
tipo LDL (sigla em inglês para low-density
lipoprotein), que em excesso pode
representar riscos à saúde. Pacientes
suplementadas com doses diárias de
chlorella pyrenoidosa durante oito semanas
tiveram, ao fim dos experimentos, a
concentração de LDL reduzida de 147
miligramas por decilitro (mg/dL) para 120
mg/dL, em média.
"As concentrações saíram de um valor
limítrofe do recomendável e atingiram
patamares considerados desejáveis", relata
a nutricionista Érica Martins Gomes
Chaves, que apresentou os resultados à
Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF)
da USP, em sua dissertação de mestrado.
O Estudo também constatou que houve uma
redução dos triglicerídeos, que são
lipídios constituídos por três cadeias de
ácidos graxos que, assim como a LDL,
constituem um fator de risco para o
desenvolvimento de doenças
cardiovasculares (DCV). Neste caso, as
concentrações estavam em torno de 149 mg/dL
e passaram a 128mg/dL, nível considerado
saudável.
Além disso, também foram observadas
mudanças antropométricas nas pacientes,
como perda de peso de 4 quilos em média e
redução no Índice de Massa Corpórea (IMC).
A pesquisadora adverte, no entanto, que os
resultados não são definitivos, podendo
estar sujeitos a alguns fatores, como a
motivação das voluntárias e a saciedade
provocada pela ingestão diária dos
comprimidos. "Foi verificada a variável,
mas não se isolou possíveis
interferências", explica.
Érica acrescenta ainda que as pacientes
reduziram, sem que isso fosse solicitado,
a quantidade de alimento ingerida, o que
provavelmente interferiu nos resultados.
"É possível afirmar apenas que a
suplementação com a microalga colaborou na
redução do consumo alimentar, fazendo com
que as pacientes perdessem peso.
Conseqüentemente, isso fez com que elas
tivessem seus perfis lipídicos
melhorados."
Apesar dos resultados positivos, Érica
ressalta que a suplementação baseada na
chlorella não é aconselhável para todos os
casos. "Cerca de 70% do colesterol no
organismo é o próprio metabolismo que
produz. O ideal é que as concentrações de
HDL (sigla em inglês para high-density
lipoprotein), o "bom" colesterol, sejam
aumentadas e as de LDL reduzidas por uma
dieta balanceada". Segundo ela, a
regulação por fármacos só deve acontecer
se a concentração no sangue (ou sérica)
estiver extremamente elevada e a pessoa
não responder à dieta ou se for constatado
que o organismo está comprometido por
problemas fisiológicos.
Pesquisa
Os estudos de Érica foram realizados com
três grupos de mulheres dislipidêmicas
(com alterações nas concentrações de
lipídios séricos como colesterol, LDL e
triglicerídeos) entre 21 e 45 anos, sendo
que um deles recebia apenas placebo. Os
outros dois recebiam doses de 5 e 10 g de
chorella. Os resultados mais
significativos foram observados
principalmente neste último grupo, mas
mesmo o que recebeu uma menor quantidade
da microalga apresentou resultados
positivos, como a redução no colesterol
sérico.
A pesquisa teve apoio da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (Capes) e foi orientada pelo
professor Júlio Tirapegui, do Laboratório
de Bioquímica da Nutrição da FCE.
Os comprimidos utilizados nos experimentos
foram importados por uma empresa Japonesa.
As informações são da Agência USP da
Universidade de São Paulo. |